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08/09/2006 10:29
APOMETRIA - UM ARTIFÍCIO DE TÉCNICA
171.- O QUE VEM A SER APOMETRIA?
É um nome criado pelo médico José Lacerda de Azevedo especialmente para designar o processo de separação do conjunto alma-corpo através de contagem numérica voltada para uma dada pessoa. Suas conclusões foram tiradas após observar os experimentos de tal Sr. Luiz Rodrigues, residente no Rio de Janeiro, onde promovia o desdobramento de candidatos a curas várias, com o nome de hipnometria. Um dia, quando de passagem por Porto Alegre, travou contato com o Dr. Lacerda que dirigia um grupo fenomênico de mediunidade no Hospital Espírita local, despertando nele o interesse para uma investi-gação maior. Aplicando em seu agrupamento o processo hipnométrico, afirma ter conseguido que todos se dirigissem ao domínio espiritual permitindo a produção de numerosas atividades voltadas para o bem de espíritos, de enfermos previamente trazidos e dos próprios médiuns. Estas e outras conclusões vieram a público em um livro inicial intitulado Espírito/Matéria no qual, em certo trecho, relata:
Assistimos a duas sessões hipnométricas e suspeitamos, já na primeira, de que a técnica deveria consistir no emprego de campos-de-força magnéticos já que, para haver desdobramento, é necessária alguma forma de energia. Na realidade, a contagem deveria projetar uma sucessão de pulsos energéticos sobre o corpo astral ou mental do paciente, desdobrando-o. Foi o que pudemos comprovar, logo de imediato, em uma série de experimentos. Isso nos levou a abandonar a designação hipnometria, substituindo-a por apometria, que nos pareceu mais exata, por não ter conotações com o conceito de sono.
Como se vê, toda a apometria está contida no episódio do desdobramento. Daí para frente o que acontece depende da cultura e da capacidade do experimentador, pois, agora, o serviço se refere ao que fazer com o pessoal desdobrado. Em seu livro o Dr. Lacerda diz uma coisa curiosa:
O maior êxito da apometria está na sua aplicação em médiuns, para contato fácil e objetivo com o mundo espiritual.
Ora, as atividades com espíritos através de médiuns têm sido, durante penosos e esforçados anos, objeto das sessões mediúnicas espíritas. Não parece correto, pois, que alguém, mesmo com intenções boas, descobrindo um jeito novo de desdobrar médiuns e, dando-lhe um nome pomposo, passe a praticar, não o desdobramento em si, mas as conhecidas sessões espíritas, incluídas agora, dentro do tal nome sem maior cogitação para com a realidade vigente. Onde fica o respeito ético mínimo pelo direito dos outros? Diante disso, não é possível abonar-se o novo processo que surgiu e que passou a chamar-se apometria, dado que o desdobramento, em si, não tem força suficiente para abranger todo o conteúdo que ela pretende alcançar. Vejamos uma parte do conteúdo apométrico na citação do próprio Dr. Lacerda:
Em nossos trabalhos usamos médiuns videntes que podem enxergar no plano astral, quando desdobrados. (Pessoas comuns, sem vidência, nem acreditam que estão desdobradas.) Já os médiuns experimentados podem ver e ouvir espíritos durante o transe de desdobramento e se deslocar no espaço; visitam, então, colônias do astral; realizam eficiente trabalho de resgate de espíritos sofredores, participando de caravanas de socorro organizadas naquela dimensão; comparecem também a domicílios de enfermos encarnados, integrando equipes espirituais de limpeza de lares.
Conforme podemos ver, estamos diante de uma sessão fenomênica da mediunidade segundo as praticadas pelos espíritas há muito tempo. Há cabimento em chamá-la de sessão apométrica? Pode-se argumentar que ocorrem aqui muitos fenômenos interessantes em conseqüência de um procedimento especial de provocação. Supondo que isso seja verdade, será que por causa disso poderemos dar um nome novo ao mesmo trabalho, só por causa dos procedimentos? Não enxergamos nem a lógica nem a conveniência.
Em todo cometimento humano há de verificar-se bem o que as pessoas fazem e o que conse-guem, em confronto com aquilo que pretendiam como objetivo. Em São José do Rio Preto, estado de São Paulo, gastamos um bom tempo analisando as indicações e procedimentos do novel movimento apresentado. Examinamos os livros específico e fomos procurar os praticantes, tivemos participação pessoal em sessões de outros agrupamentos e comparecemos a congressos específicos travando várias discussões com os aficcionados. Mas, o maior mestre foi mesmo a experimentação pessoal que empreendemos por um bom tempo, com pesquisa e estudos persistentes, individualmente e em grupos internos de debates. Pudemos efetuar alguma absorção, que não consideramos o final do saber mas que nos coloca na posse de algum gabarito para tecer comentários.
Talvez ninguém, antes do Dr. Lacerda, tenha trabalhado especialmente com certo tipo de experimentação em sessões mediúnicas, com metodologia científica, observando, concluindo, anotando e, depois, publicando os resultados em livros. Mas, isso não permite que se os possam colocar dentro de uma outra linha de doutrina, já que não foram criadas ou, sequer, descobertas pelo movimento apométrico. Todavia, excluindo a validade da autoria e não falando da moralidade que alguém possa ter de descobrir o que já era conhecido, concordamos que as técnicas empregadas pelo Dr Lacerda revelam a possibilidade para um rendimento superior ao obtido com os processos clássicos na fenomenologia mediúnica, numa atividade utilitária maior para os participantes da sessão: médiuns, dirigentes, pacientes encarnados presentes ou visitados, espíritos enfermos revoltados, vingativos ou malfeitores e para os próprios benfeitores espirituais. Todos hão de gostar muito mais, já pela superior qualificação dos processos postos em prática, já pela execução mais dinâmica e mais variada, já pelo imenso conteúdo de alegria passível de atingir cada experimentador que tenha conseguido.
170.- CABE, ASSIM, NÃO PENSAR NA APOMETRIA COMO UM MOVIMENTO ANTAGÔNICO?
Cabe não pensar e o pessoal espírita nunca o faria. O antagonismo existe mas não foi criado pelos espíritas, apenas percebido por eles nos diferentes contatos havidos. Se os apometras houvessem fundado uma doutrina nova, independente e com bases próprias, muito diferentes do que já existia, cuidando de efetuar-se em seus arraiais, nós não moveríamos um dedo em sua direção e nem tocaríamos no seu no-me a não ser para abençoá-los. Mas, o que fizeram foi vir arregimentar seus adeptos exatamente nas fileiras espíritas em cujo interior constantemente funcionam, atuando como se estivessem libertando os nossos confrades de algo ultrapassado e superado, desmerecendo e desqualificando as sessões que os estudiosos de Allan Kardec praticam, no uso de seu legítimo direito de escolha.
Todo conhecimento novo, mormente se carreia algum poder ao homem, ao entrar em funcionamento e uso costuma ser um pouco distorcido, permitindo excessos e abusos de vários modos. De um lado porque ninguém sabe ainda como dominar bem os procedimentos mais eficientes e, de outro, porque a nossa sempre insatisfeita ânsia de poder gera natural exagero de aplicação impelindo-nos a desacertos vários. Fico pensando se não aconteceu algo parecido com o pessoal da apometria, experimentador de técnicas novas e, aparentemente, engrandecedoras.
Participando de um Congresso de Apometria não pude deixar de perceber uma série de comportamen-tos dos iniciados que são, no mínimo, bem estranhos. Muitos dirigentes de sessões específicas se apre-sentavam tão arrogantes como se estivessem trabalhando com algo que os colocava acima dos humanos. Ao lidar com as supostas pessoas comuns, ostentavam aquele ar afetado de uma conseguida superioridade mal trabalhada. Lembravam o procedimento das crianças quando, em dia de festa, vestem roupas bonitas e são avisadas para não se desarrumarem enquanto esperam. Elas ficam andando e se mostran-do como se fossem benfeitoras do próprio rei e que, portanto, precisam ser respeitadas e admiradas.
No congresso, muitos falavam abertamente sobre suas descobertas e êxitos pessoais, externando uma grandeza de causar inveja nos observadores. Certos apometras não escondiam um desprezo pelo pessoal espírita que ainda usava os procedimentos mediúnicos tradicionais. Alguns grupos mostravam entender que a apometria superou muito o Espiritismo, não devendo ter com ele nenhuma relação, a não ser a de condescendência. Isso não foi falado abertamente as-sim, mas deu bem para ler nas suas manifestações. Vários oradores falavam, até em palestras, sobre a utilidade da contribuição umbandista, dentro de suas sessões apométricas, com uma exibição orgulhosa de tolerância para com os credos afrobrasileiros, exibindo ardilosa inteligência por terem descoberto e usado uma tolerância que os puristas ortodoxos espíritas recusam e perdem.
Não se diga que havia em nós uma antecipada disposição para enxergar com algum preconceito, como se transportássemos uma carga de expectativas contrárias. De nenhum modo era assim. Na verdade, nós comparecêramos animadíssimo para aprender e aderir, buscando os mesmos resultados espetaculosos a que eles se referiam. Tanto era assim que estávamos lá com um ônibus particular cheio de médiuns e coordenadores de trabalhos, vindos de longe para estudar e aprender. De certa forma, até que conseguimos o intento. Aquele congresso foi imensamente útil e revelador, permitindo colher enorme contribuição de informações sobre procedimentos e interpretações.
Vale dizer que o próprio Dr. Lacerda, em seu livro Espírito/Matéria, faz uma colocação que dá o que pensar:
É lamentável que os espíritas estejam impedidos de contribuir para o progresso dessas investigações porque bloqueados pelo conceito kardequiano de perispírito. Será necessário que alarguem seus conhecimentos em torno e além desse conceito para que possam começar a compreender as funções de todos os mediadores plásticos que existem entre o espírito puro e o corpo físico.
Não entendo porque os espíritas estão impedidos. Teriam sido submetidos a uma espécie de proibição de fazer investigações quaisquer que desejem? Quem os teria proibido? Ou seria essa expressão um ardiloso desafio para que se proclamassem livres e se desembestassem a fazer experimentações apométricas? O autor fala que o conceito kardequiano de perispírito é responsável pelo bloqueio na mente de qualquer espírita experimentador. Para sair disso seria preciso que alargassem seus conhecimentos. Não imagino que tenha dito isso por provocação ou por maldade intencional. Agora, o pessoal espírita não gosta de se ver referido como possuidor de conhecimentos que precisam ser alargados. Seriam os apometras possuidores de conhecimentos tão largos que se permitam referir aos espíritas, genericamente, como necessitados? A experiência tem mostrado o contrário sobre os apometras.
De outro lado, na época em que Kardec escreveu, o conceito de perispírito já provocou uma verdadeira revolução, não cabendo outras especificações que seriam, então, prematuras. Além disso, com a palavra perispírito ele se referia ao conjunto de quaisquer expressões para além do corpo físico. De modo que o conceito espírita de perispírito não bloqueia qualquer tentativa de detalhamento e especificação de outros corpos sutis que sejam seus componentes. A menos que este conceito tivesse um poder oculto e mágico suficiente para bloquear a mente de quem nele acreditasse. Só de pensar nisso, dói.
Nos tempos atuais, se alguém começa a dizer que existem muitos corpos sutis, mas não dá prova alguma nem, sequer, algum indício válido, então é como se não tivesse dito nada. Seria preciso que, pelos menos, mostrasse qualquer utilidade para conhecimento e uso dos tais vários componentes. Os espíritas até que não duvidam de que possam existir vários corpos sutis para o ser espiritual, assim como não duvidam de que as informações astrológicas possam ter alguma realidade. Só que estas informações não estão fazendo falta nenhuma em nossas atividades e práticas e não enxergamos ainda nenhuma serventia para elas que nos pudesse beneficiar. Podemos, pois, dispensá-las serenamente. Daí não ter cabimento em vir alguém dizer que precisamos alargar nossos horizontes para novos conhecimentos. Seria inteligente que admitisse, até por causa da possibilidade contrária, que já tivéssemos os horizontes um pouco mais alargados, mas seja diferente o nosso conceito de conhecimento.
174.- O MOVIMENTO APOMÉTRICO JÁ ERA ANTAGÔNICO DESDE O INÍCIO?
O tratamento antagônico ostensivo do pessoal veio algum tempo depois, com o crescimento de suas lides, quando o sentido da palavra ficou mais amplo. Através de uso e de interpretação pessoal, os adeptos passaram a interpretar episódios e inventar um mundo de anexos espirituais espetaculosos, englobando tudo dentro do nome acolhedor da apometria, apresentada como uma ciência nova, promotora de maravilhosos resultados para o bem do homem necessitado. Não se cogitou de verificar se os fenômenos já existiam em alguma doutrina, ninguém cuidou de considerar que o Espiritismo já possuía muitos daqueles conteúdos, não necessitando de que viessem a redescobri-los e apresentá-los como novidade. Só porque estivessem fora de uso, até por fal-ta de experimentadores mais competentes para recolocá-los, não significa poder alguém chegar e tomar posse. Acredito que o Dr. Lacerda não imaginou que isso iria acontecer e criar confusão, coisa que exatamente aconteceu.
Houve, assim, uma expansão artificial do conteúdo apométrico, apareceram muitos líderes com pouca formação, desejosos de fazer muita caridade e precisando mostrar serviço, fizeram muita propagando para atrair massa de povo, prometeram soluções rápidas e totais e criando um clima ideal para abrigar curiosos superficiais, aqueles que chegam valorizando o atalho, e aceitando, ingenuamente, o famoso efeito sem causa, com absoluto desprezo pelas leis divinas que preconizam esforço e merecimento para conseguir valores.
Causa espanto ver que alguém, não se dando conta de sua cultura apenas mediana e com rudimentares informações espíritas, se lance a esdrúxulas aventuras de criar escolas novas ou de fazer propaganda para enfraquecer doutrinas conhecidas, já devidamente assentadas. Vêm a campo, com ares de mestres, ensinando para todo o mundo como foi que descobriram a pólvora, posto que rotularam como apométricos diferentes e antigos fenômenos mediúnicos, sem respeito aos estudos de Allan Kardec e sem qualquer cogitação sobre a variada obra espírita de An-dré Luiz, Manoel Philomeno de Miranda e tantos outros.
A comunicação interplanos é um campo altamente propício para atrair curiosos, aventureiros e inventores que, após uma leve observação, já estão prontos fazer experimentações fenomênicas superiores, sempre com uma proposta de procedimento especial, calcada em informação e uso de fenômenos su-postos extraordinários, capazes de promover resultados sensacionais, até para casos considerados incuráveis como epilepsia, esquizofrenia, câncer, aids etc. Depois disso, tiram conclusões discutíveis e saem divulgando com uma espécie de piedosa obrigação de mostrar ao mundo o conceito novo que encontraram e correm para publicar alguns livros e esgotar o assunto. Só que muitos destes livros estão eivados de primários erros gramaticais, não merecendo, sequer, uma leitura séria. Outros são recheados de informações complicadas, sem maior sentido, muito difíceis de serem compreendidas, sem adequadas instruções para as necessárias confirmações e, positivamente, sem utilidade alguma.
Os seguidores da nova apometria fizeram isso, acredito que até sem maldade mas, então, por ingênuo desconhecimento. Denominaram-se apometras, como se o novo título os tornasse mais dignos e mais respeitáveis para impor-se ao movimento espírita nacional que pretendem conser-tar; e declaram, abertamente, que não são espíritas, libertando-se do empirismo e da vagareza com que atuam os discípulos de Allan Kardec. Evidentemente o grosso do pessoal apometra nem se dá conta de que aderiu àquela parafernália toda da qual não faz nem mínima idéia. E é essa turma que está abominando o Espiritismo como coisa ultrapassada e querem corrigi-lo. Não entenderam o Allan Kardec porque, dificilmente, o terão lido.
173.- POR QUE SERÁ QUE HOUVE ESTE DESMERECIMENTO DOS APOMETRAS SOBRE OS ESPÍRITAS?
Se alguém perguntasse isso a um deles, seguramente a resposta seria uma negação peremptória de que, absolutamente, ninguém faz isso. Os fatos, entretanto, são implacáveis e o demonstram. Parece que o pessoal apometra não suportou a glória, suposta disponível, de ser diferentemente bom, partindo para o desmerecimento dos experimentadores que assim não trabalhavam, como se estes fossem constituídos apenas por uma velharia atrasada, portadora de idéias anacrônicas e experimentos arcaicos. Só que não tendo um lugar específico para atuar ou não podendo criar um ambiente próprio, vieram aplicar suas teorias exatamente no seio do movimento espírita.
Supondo estar na posse de algo que os outros nunca viram ou, sequer, imaginaram, lidam conosco como se fôssemos de outra crença. Criaram até uma sociedade própria que os denomine, repre-sente e unifique, a Sociedade Brasileira de Apometria. Todas as pessoas são livres para criar e fazer funcionar as sociedades e instituições que bem desejarem, considerando a sagrada liberdade que, na bênção de Deus, impera neste país. O pessoal apometra sempre poderia fazê-lo, naturalmente seguindo as exigências de compor um movimento novo, com um conteúdo original e técnica de funcionamento diferente. Por exemplo, poderiam criar uma sociedade nove para a purificação do urânio ou para o impedimento da devastação amazônica ou para a reposição das espécies animais em desaparecimento. Ninguém os iria abordar a não ser para abençoá-los. Mas, não foi isso que fizeram. Vieram agitar cá dentro do movimento e, mesmo quando saem deles, ainda precisam arregimentar seus fiéis a partir da crença espírita, dado que agem com enorme porcentagem dos seus programas.
A maioria das sessões apométricas funciona em total conexão com o movimento espírita, quando não dentro dos próprios centros ou instituições espíritas, onde penetram com alegada informação de que estão fazendo um trabalho espírita novo e muito melhor. Na simplicidade ingênua dos confrades, são recebidos e apoiados. Agora, passam ao funcionamento oficial inteiramente contido na periferia do movimento espírita, usando os mesmos procedimentos que aprenderam ali, inclusive lendo os mesmos textos doutrinários, aplicando o mesmo atendimento ao povo, as mesmas práticas assistenciais, os mesmos estudos, as mesmas palestras, baseando-se nos autênticos livros espíritas e fazendo a mesma coisa mediúnica que o pessoal espírita, apenas modificada por pequenas variações e o pomposo nome de apometria que pretendem os projete como diferentes e muito melhores.
Poderiam, sim, abordar os centros, sem sua apometria, para dinamizar o movimento local, trabalhando, estudando, auxiliando como fosse possível. Seria essa uma excelente benfeitoria, de utilidade indiscutível mas, não fazem isso. Querem introduzir a apometria, uma atividade mágica que promete resolver todas as dificuldades existentes, inclusive curas impossíveis. Não i-maginam que, com isso, estão agredindo a essência da Doutrina Espírita, acredito que até sem perceber e sem o desejar mas, não escapando de uma indignidade moral de nível institucional.
Pois fica permitido, então, desrespeitar-se a doutrina dos outros só porque existe a liberdade para fazê-lo? Não foge isso do fundamento moral em que a própria religiosidade se baseia? Se os apometras quiserem usar o seu direito de escolha para seguir por um outro caminho, podem fazê-lo seguramente mas, antes, precisam compor um movimento próprio, diferente dos que já existem. Não vale plagiar uma que já implantada, mudar um pouquinho, colocar um nome novo e sair fazendo propagando, inclusive denegrindo a imagem daquela. A Doutrina Espírita propriamente dita não fica atingida em nada, mas os confrades, humanos que são, com a incumbência de se defenderem, a si e a seu movimento, ficam aborrecidos.
No centro espírita o pessoal está ocupado com o estudo de Allan Kardec e com as práticas que conseguiu aperfeiçoar, mas dentro de uma codificação que deseja preservar. Não cremos ser necessário defender a pureza doutrinária porque a apometria não tem doutrina própria e nem pretendeu. Não passou de um artifício de técnica, um movimento mal interpretado, talvez por falta de tempo ou de paciência, talvez porque os apometras estavam admirados demais para conseguir observar melhor. Se o tivessem feito teriam descoberto que os fenômenos não eram novos, somente a sua aplicação é que era. Não se justificava, portanto, nem colocar um nome novo. Fugiram disso, eventualmente, por terem ficado muito engalanados com os bons resultados fenomênicos, obtidos em práticas que nunca chegaram a saber que eram as práticas espíritas. Postaram-se como genuínos e originais quando, na verdade, os seus processos não o eram, de modo algum.
171.- O PROCEDIMENTO APOMÉTRICO SE APÓIA SÓ NO DESDOBRAMENTO?
A palavra apometria foi criada numa relação direta com o desdobramento da alma. Sua provocação é a chave principal do processo e é proposta para os médiuns logo no começo da sessão. Toda a novidade consiste nisso afinal, a ponto de o empenho maior cair justamente no modo de agir para consegui-lo. Quando ouvimos falar que alguém houvera descoberto um meio de produzi-lo de modo fácil e rápido, evidentemente nos alvoroçamos buscando-o com ansiosa expectativa. Conseguimos o livro do Dr. Lacerda, fizemos o estudo devido e lançamos mãos à obra. Todavia, ao colocar em ação as providências para efetuar o processo, do modo preconizado pela técnica, surgiu um problema embaraçoso e, até mesmo, acabrunhador: o desdobramento não ocorria conforme a teoria geral. O mais marcante axioma da Apometria, aquele de contar, em voz alta, de 1 a 7, colocando pulsos energéticos na voz, focalizando uma determinada pessoa, que ela prontamente se projetava para o astral, independentemente de sua condição de sexo, maturidade e saúde, sem exclusão até dos esquizofrênicos, não funcionava na prática.
Agindo exatamente como indicado, preparamos tudo e procedemos a contagem desejando, torcendo para conseguir. Terminada a contagem, passamos a uma verificação simples, tentando descobrir se alguém se projetara para fora do corpo, podendo testificar sobre a nova realidade, oferecendo informações que apenas nesta condição lhe seria dado obter. Mas, ninguém re-velou nada, ninguém se desdobrara. Talvez algo desconhecido tenha impedido e o pretendido não se dera. Recontamos os tais pulsos sem obter resultado. Tornamos a contar e, de novo, mais de sete, muito mais e, nada... É bem de ver-se que o buscado objetivo do desdobramento é in-dispensável e, assim, concluímos que o processo não acontecia ou, pelo menos, nessa oportunida-de. Naturalmente que não iríamos imaginar um resultado só porque o desejávamos muito. Não se pode colocar fé numa experiência de pesquisa, principalmente aquela boa fé, muito costumeira entre nós, de acreditar sem qualquer verificação. Após muitas tentativas práticas, todas mostrando negativa, muito a contragosto, constatamos que a técnica não funcionava. Voltamos aos livros, outros livros, procurando algo não visto antes, uma exceção talvez, retomamos a prática mas, nada. Este negócio de contar para alguém desdobrar não funciona de jeito nenhum.
Os apometras apregoam, abertamente, que estão dentro de uma fenomenologia grandiosa, inteiramen-te nova, mesmo sendo evidente que a novidade maior, a tônica fundamental de sua técnica, aquela capaz de fazer um divisor entre as sessões apométricas e as que não são, é uma engraçada quimera.
172.- AFINAL, DE QUE SE CONSTITUI A APOMETRIA PROPRIAMENTE DITA ?
Não sei se alguém sabe. Tendo a palavra sido criada para definir um processo que não dá certo não fica nada fácil justificar a sua existência. Eliminado o desdobramento por contagem não sobra nada para compor o encantado procedimento de que tantos se engalanaram tanto. O que se tem a fazer agora é somente um trabalho fenomênico de mediunidade a exigir um trato adequado e competente que, ao efetuar-se, não muda de realidade e não precisa de nome novo.
Dissemos que os experimentos científicos do Dr. Lacerda foram muito bem feitos e podem tra-zer uma contribuição ao processo fenomênico espírita. Considere-se e homenageie-se o rigor científico por ele colocado, pelo método de trabalho excelente que sua cultura lhe permitia empregar, por sua desenvoltura de fala e eficiência na criatividade de soluções. Pode muito bem absorver-se e acrescentar-se ao conhecimento espírita comum, exatamente como se faz nos congressos científicos, como os de medicina, por exemplo, onde os experimentadores expõem técnicas novíssimas que descobriram em seus laboratórios e que passam a enriquecer a medicina especializada. Ninguém reclama ter inventado uma ciência nova.
Por que, então, a técnica apométrica precisaria receber um nome diferente? Era ou não era um proce-dimento proposto para melhorar uma sessão mediúnica espírita? Não há dúvida que sim porque o gros-so de sua operação se efetua sempre com a presença de espíritos desencarnados, comunicando-se e sendo atendidos com as informações que os seus dirigentes possuem. Os resultados dependem exclusivamente de suas luzes pessoais, de sua experiência, de sua competência enfim, como acontece com todos os dirigentes espíritas de sessões fenomênicas. Quando algum possui mais cultura geral ou maior cultura científica, pode conduzir os trabalhos com outra linguagem, com melhor seqüência e aplicar informações até sobre conceitos eletromagnéticos, ideoplásticos etc.
É o que fazem os experimentadores mais eruditos como o Dr. Lacerda, por exemplo, que não inventou, não criou, aqueles fenômenos. Somente os adotou, fez pesquisas próprias e elaborou, por mérito seu, enorme aliás, uma descrição excelente dos processos de operação, coisa que ele seguramente aprendeu na Faculdade de Medicina. Investigou casos, anotou-os, tratou de pesso-as e de espíritos com técnica aprimoradíssima, esta, sim, que ele elaborou e que não tem qualquer relação causal com o mediunismo, entregando para a posteridade uma contribuição maiusculamente importante. Sua apometria não ficou, pois, alicerçada para ser uma ciência avulsa ou uma filosofia ou uma religião. Teria sido muito bom que ele não tivesse proposto nome diferente algum para designar os procedimentos que aplicava. Isso porque todos os processos técnicos usados e descritos no livro são naturais do conhecimento científico e ou do conhecimento espí-rita, conquanto não sejam normais nas práticas fenomênicas dos núcleos doutrinários e grande número delas não tenham, jamais, sido usados por aí, porque eram procedimentos particulares de um cientista, improvisando respostas ao lidar com os eventos que lhe surgiam durante os trabalhos.
Os fenômenos mediúnicos não são de propriedade do Espiritismo, não foram por ele inventados e pertencem ao acervo natural do universo. Entretanto, as técnicas de lida fenomênicas foram estudadas e aperfeiçoadas dentro do movimento espírita mundial, o que nos garante, ao menos dentro de uma ética mínima, o direito de usá-las com nome próprio. Isso precisa ser entendido e não pode ser desrespeitado. Como não existem autoridades hierárquicas em nosso movimento, ficam as células espíritas sujeitas ao ataque aventureiro de investigadores primários que costumam chegar inventando doutrina nova. Cabe aos espíritas conscientes o dever de não aceitar isso e de providenciar o necessário esclarecimento em época própria. Não estamos precisando de pretensos salvadores que outra coisa não trazem senão experimentação comum e muita confusão no meio doutrinário. Cabenos o dever de manifestar-nos para esclarecer os nossos companheiros do centro e, até, os apometras que, em grande maioria nem fazem qualquer idéia sobre as implicações de suas práticas.
175.- ENTRETANTO, PERMANECE O FATO DE QUE A APOMETRIA PROMOVE MUITAS CURAS NAS PESSOAS.
Será que promove mesmo? A conceituação exata da palavra cura precisa ainda de ser mais divulgada. Precisamos conhecer melhor se e quando uma cura foi realmente executada, pesquisando não somente o aparente estado da instrumentação física como, também, a resolução adequada dos fatores causais do distúrbio. A Doutrina Espírita divulga um aspecto da Lei Divina que impressiona pela simplicidade e pela razão. Segundo ele não é factível a obtenção de favores celestes sem os correspondentes méritos justos, ou seja, não se podem colher frutos exce-lentes sem se haver tido o cuidado de plantarem-se sementes apropriadas.
Como o nosso orgulho constantemente nos precipita em ciladas dolorosas, mostrando-nos a necessidade defensiva de mais estudo e mais humildade, inferimos o imperativo de não agir irresponsavelmente em quaisquer concursos naturais, com especial atenção nos processos de ação sobre enfermidades, mesmo que as aparências estejam indicando as feições da caridade. O capítulo da cura de corpos é um dos mais melindrosos que existem e, justamente ele, tem sido o fator de queda para tantos irmãos nossos que, sem perceber, por vezes se arvoram como mais piedosos do que Deus quando, passando por atalhos, se lançam a corrigir o sofrimento humano com uma suposta eficiência em rapidez e amenidade, incidindo em presunção nitidamente vaidosa. Mais não fosse e o tentame já seria muito desagradável, quanto mais que pode ocasionar o despertamento de mirabolantes expectativas no coração dos pacientes, em ângulos os mais diversos, com especial agravo dentro da comunidade espírita. Citemos alguns deles:
- Tentativa na obtenção de curas corporais inauditas, apenas pelo uso de um ou dois médiuns, tidos como excepcionais, sem qualquer cuidado com a prática de virtudes causais e sem nenhum respeito à lei do merecimento de quem se apresente a receber o benefício.
- Anseio de aliviar as aflições, os distúrbios ou os processos obsessivos, chegando-se a resultados maravilhosos, através de mudanças simplórias nas técnicas funcionais e, não, pela decorrência natural conseqüente a penosos esforços no bem ao longo dos anos.
- Esperança de melhorar os trabalhos mediúnicos vigentes no centro, como se o empirismo e as fraquezas naturais de alguns grupos fenomênicos se devessem ao próprio contexto espírita do processo e, não, ao império de uma lei perfeita que mostra ser necessário um árduo trabalho de preparação e crescimento antes de atingir-se o convívio com os valores mais sublimes.
- Pretensão de conseguir-se um acesso fácil ao contato direto e à intimidade dos espíritos maiores, sem o atendimento a requisitos indispensáveis de virtude superior.
Temos assistido a exemplos vários de tentativas nestes diferentes campos, terminando em conceitos estranhos e doutrinariamente discutíveis, mostrados como se fossem um progresso para o nosso mo-vimento e justificados pela inconcebível decisão de auxiliar o Espiritismo a crescer. Ninguém precisa preocupar-se em aperfeiçoar o Espiritismo. Teremos conseguido muito se chegarmos a entender cor-retamente as suas propostas e haveremos operado em muito valor se não comprometermos a simplicidade e a diretriz dos seus conceitos. Quando algum de nós se levantar na abordagem de tais assuntos, não poderá ser acoimado de intolerante, principalmente com certos escritores que estão atrapalhando a marcha benfeitora da Doutrina, fazendo o que bem entendem em nome da liberdade. É preciso não confundir intolerância com o protesto contra a contaminação e o desvirtuamento dos conceitos espíri-tas.
176.- DESCARTE-SE, POIS, DA APOMETRIA SEM PERDA ALGUMA PARA O MUNDO?
Para o pessoal espírita, sem dúvida alguma. Muitos dentre nós ainda não chegaram a uma certeza que tem sido marcante pela insistência com que os manuais doutrinários de vulto a repetem: é a certeza de que ninguém conseguirá colher qualquer benefício sem plantar antes. Isso vale para tudo na vida, inclusive para as curas que as pessoas insistem em procurar através do menor esforço ou pelo atalho. Haja vista a procura imensa que acontece aos pés de algum médium mi-lagreiro quando o povo ouve dizer que ele está curando. Multidões e multidões acorrem numa esperança enorme de receber o que supõe precisar, por causa da bondade divina. O pior de tudo é ver, no meio deles, um grande número de espíritas até bem atuantes. Estão mostrando que não possuem convicção alguma nas informações doutrinárias ou, então, não chegaram mesmo a saber delas.
Quando os apometras publicam nos jornais ou na internet que dispõem de um processo maravilhoso de cura, sem qualquer compromisso ou pagamento por parte dos candidatos e que o colocam, indistintamente, ao alcance de quem compareça, supõem-se grandes caridosos e excelentes benfeitores. Não levam em conta que não podem prometer resultados que, constantemente, não podem entregar dado que estão na dependência de bloqueios expiatórios, podendo, então, espalhar uma descaridosa desilu-são para os irmãos aflitos. Mas, vamos supor que aconteça um caso de cura. Ela somente terá ocorrido em razão de merecimento certo por parte do recebedor, do contrário, estaríamos diante do absurdo do efeito sem causa. Ora, havendo merecimento para a cura, esta chegaria por meio de qualquer processo aplicado, o que anula a necessidade para a criação de movimentos novos, mormente quando espe-taculosos e prometedores de resultados
André Luiz, no livro Nos Domínios da Mediunidade, relata o desdobramento obtido no correr de uma sessão fenomênica, evidentemente não apométrica, em que o médium sai do corpo, cons-cientemente. Sentindo-se totalmente fora, encontra-se com espíritos, conversa com eles, vai para outro lugar prestar um serviço, enfim, faz tudo o que o pessoal está dizendo que a apometria criou e introduziu. André Luiz fala em campo de força, em correntes mentais, em construtividade de objetos materiais astrais com a mente, em projeção de campos mentais, em defesa por meio de escudos mentais etc. Não sei o que é que a apometria inventou. Aliás, eu sei. Há uma coisa que os espíritas não tinham descoberto. É essa estória de contar até sete para que as pessoas desdobrem. Isso é novidade. É aquela novidade que não dá certo nas sessões. A gente conta até cansar e ninguém desdobra nada.
A mentalidade espírita apóia completamente todo esforço sincero para encontrar procedimentos novos e eficientes no trato com quaisquer questões ainda não resolvidas, fora e dentro do movimento espíri-ta. Mas, não pode concordar com a suposição de ter-se encontrado uma ciência nova assim que se descobre uma aplicação nova de fenômeno já conhecido. Segundo eu acredito, o Dr. Lacerda nunca esteve pensando em criar uma corrente particular e diferente de atividades fenomênicas espirituais. Muitos dos que leram seu livro e tentaram aplicar é que fizeram isso.
Assim, os processos que ele adotou, no uso dos conhecimentos científicos que possuía, são recursos novos sim mas, como tal, não são privilégio nem propriedade de ninguém em particular, porque pertencem à humanidade toda desde que foram colocados em livros e vendidos ao público. Os recursos não precisam ser desprezados porque deram origem ao que se chamou de apo-metria mas, quanto a esta, depois de muito estudá-la, refletir e testar, em confronto com os ideais e processos espíritas em vigor no centro espírita, cheguei à conclusão de que não tenho nenhuma necessidade e não desejo adotar esta aventura do pensamento, seguramente colocada como movimento paralelo. Meu negócio é a prática espírita, o velho kardecismo mesmo. Fora daí não encontro salvação nenhuma para minha natural maneira de viver. No dia em que aparecer algo melhor do que ele eu mudo. Antes disso, porém, vou precisar conhecer muito melhor a Doutrina, para não cair na infantilidade e na tolice de pensar que alguns conhecimentos de aplicação nova já são capazes de superá-la quando, como no caso presente, já os tínhamos desde sempre. Só que estavam todos escondidos, bem escondidos mesmo, dentro dos livros espíritas. Preciso entender melhor o conceito de lealdade ao fundamento que mais me ajudou e consolou neste mundo.
Todavia, as sessões mediúnicas sob minha orientação tiveram uma grande melhora de métodos, de pro-cedimentos, de técnicas e de rendimentos, graças ao estudo e emprego dos conhecimentos eletromagnéticos. E não é por isso que eu mudei de religião ou, sequer, o nome dos trabalhos. Um tipo de procedimento escolhido não pode ter qualquer ação determinativa na essência de um fenômeno. Assim, as sessões são as mesmas sessões de aplicação mediúnica e de auxílio a espíritos e almas necessitadas, como sempre foi. E tudo vai correndo excelentemente bem, sem nenhuma necessidade de inventar procedimentos esdrúxulos e estapafúrdios que mais servem a inferiores intentos de exibição vaidosa.
Prof. Rodrigues Ferreira
enviada por Espírita.com
26/07/2006 09:57
FORTALECENDO O EGO
Fala-se da necessidade de esforçar-nos, conscientemente, para melhorar nossas cogitações, lembrando-nos que, se bem pensarmos, iremos descobrir que 95% do nosso tempo gastamos pensando e providenciando para nós mesmos. Evidentemente, isso não é nada nobre. Levantamos, diariamente, pensando em nós, gastamos a manhã toda focalizados sobre nós e, também, no meio do dia, à tarde e de noite. É o que vamos vestir, o que vamos comer, o que vamos dizer, o que vamos fazer e qual e como iremos ter prazer. Entra dia, sai dia e nós estamos na mesma. Sem perceber, as pessoas seguem voltadas somente para si, produzindo, como resultado obrigatório, uma vida egoísta, medíocre e, necessariamente, infeliz. Diz a Psicologia que é importante ter auto-estima elevada, apreciar-se, ter ego forte. Mas é preciso entender bem o que isto significa. De modo nenhum tem a ver com aquelas posições. Antes pelo contrário, quanto mais bem a pessoa cuida de si, quanto mais forte for o seu ego, menos egoísta é. Quando alguém tem um ego fraco, não se valoriza, é inseguro, partindo para buscar do lado de fora todo o valor do qual precisa, ainda que nada sobre para os outros. Usa as pessoas e jamais faz carreira espontânea para alguém porque não pensa, não se interessa. Dissemos espontânea porque quando pretende tirar um lucro, apresenta-se como prestativa e, até, bondosa. Um poeta deixou por aí uma trovinha muito interesse sobre este assunto: Quem dá para receber, // Quem, no que dá, põe valia, // Não oferece nem dá, // Tão somente negocia". A conclusão é que todos nós devemos tomar cuidado e verificar dentro de nós mesmos quais têm sido os nossos motivos. É possível que encontremos muitos exemplos de procedimentos interesseiros no meio dos realmente altruístas. Quer dizer, nós temos sido meio egoístas. Não fique triste de descobrir isto, porque ninguém tem comportamento perfeito ainda. O que nos importa mesmo é aceitar o problema e tentar melhorar nossa média. Se conseguirmos elaborar uma tendência para um procedimento mais adequado, mais altruísta, estaremos ganhando pontos na construção de um ego mais forte e caminhando para uma vida melhor.

enviada por Espírita.com
22/06/2006 14:27
VAMOS VIAJAR?
Vamos viajar. Que tal Conhecer a nação mais poderosa do mundo? Com toda a sua história. Seus segredos, sua vitória? Será que é fácil? Primeiro vamos tentar chegar até lá, depois conheceremos sua história e vitórias in loco. Segredos? Esses são segredos, nem mesmo quem mora lá os conhece. Não seriam segredos se assim fosse. Que tal começarmos por, hã, digamos, New York... Que maravilha, os nova-iorquinos vão adorar a nossa presença lá... Eles amam os brasileiros... Ou seriam argentinos? Sei lá.
Muito bem. Muito bem. Temos que tirar o passaporte. Droga. E agora? O cara do visto me disse que necessito de um comprovante de residência, comprovante de renda, comprovante de que tenho um ótimo emprego fixo e uma residência fixa, de preferência que eu seja casado e tenha filhos. Em suma, que eu tenha raízes fortes fixas no Brasil. Esse cara acha que eu vou fugir do Brasil e passar a morar nos states. Que é que ele está pensando? Que eu sou algum trouxa? Até parece que acontece isso todos os dias. Que é somente isso que ele tem visto. Tem tanta gente que vai com a maior facilidade mesmo sem estar querendo! Por necessidades, sei lá. Por que é que nos filmes, nas novelas, as pessoas viajam com tanta facilidade para os states? Caçamba!
Mas é isso, já sei o que fazer, vou morar nos estados unidos da américa do norte. Tenho um amigo lá que vai me arrumar emprego, é só eu chegar lá que dá tudo certo. Só preciso tirar o passaporte e receber o visto. Mas ai me esbarro no problema, cadê dinheiro para ir? E o resto? Eu não tenho. Ah, já sei, vou clandestinamente! Mas ai eu não vou conseguir o emprego com meu amigo. Vou penar, vai ser o umbral em vida.... Mas com meu amigo me arrumando um trampo também não vai ser nada fácil. Ou até pode ser. Isso vai depender muito da minha qualificação profissional, intelectual. Quer dizer, para ter uma boa colocação eu precisarei ser evoluído ou a caminho da evolução, intelectual e profissional.
Interessante. Isso me parece algo que muitos têm medo. A morte física do ser humano... o desencarne...
Na verdade, a minha intenção com toda essa lengalenga, é pura e simplesmente dizer que a morte é como uma vigem de ida para o exterior. Nem todos que querem voltar para a Pátria Espiritual podem ir no momento desejado. Muitos vão sem querer, pois chegou o momento certo de partir e outros, outros não conseguem o passaporte e vão clandestinamente, ou seja, pelo suicídio e, quando eu digo suicídio incluo todas as formas, diretos e indiretos, conscientes e inconscientes, então, lá chegando, não encontram o paraíso que tantos disseram existir e penam, e sofrem e lamentam a partida e não têm mais como voltar. Não existe extradição, como aqui, mas sim em outro corpo, numa continuidade. Aqueles que conseguem o passaporte têm alguém esperando do outro lado, ou não. De acordo com seu merecimento, seu crescimento. Vai alcançar aquilo que produziu. Muitos envelhecem e não conseguem viajar, passa-se muito ainda até se realizar a viagem. Outros, nem bem nascem e já retornam para o outro lado. As dificuldades e/ou facilidades que se encontrar na Pátria Espiritual vai depender pura e simplesmente do crescimento, do desenvolvimento de cada um. Da sintonia. Vi uma explicação uma vez sobre a morte que me deixou a pensar. Dizia: imagine um navio enorme, belo que sai do porto, com destino a outro país. Você o acompanha com o olhar mar adentro durante muito tempo até ele virar um pontinho e esse pontinho lá no horizonte vai desaparecendo até não mais ser enxergado. Então você diz: ele se foi. No entanto ele não se foi, ele apenas saiu do seu campo de visão, seus olhos não conseguem mais vê-lo, ele ainda está lá, no oceano, navegando em outra direção e acredites, outros olhos irão ver aquele belo e enorme navio se aproximando, quando do outro lado você o viu partindo. Assim é a morte, para quem fica o outro partiu, pura e simplesmente porque não o podemos ver com nossos olhos carnais. Mas existem outros que verão chegar esse que supostamente partiu e vão vê-lo em toda sua realidade....
A morte não é uma escolha, não é uma opção. Não é uma saída, não é um bicho papão. A morte pura e simplesmente não existe, aquela morte falada desde a infância não existe. Existe sim uma morte que nos faz nascer. É o véu tirado dos olhos que nos faz enxergar a verdade. Não há a necessidade de temer algo inevitável, o desencarne, a morte física, a morte da matéria. O quebrar os grilhões da alma, retirar a vida do cárcere, partir as algemas... Deixar a ave voar livre para seu desenvolvimento e preparação para novamente buscar o conhecimento... Morte, pura ilusão do homem cansado... States, mera ilusão do homem em busca de sucesso...
Vamos viajar? Que tal Porto Seguro, Ilhéus, Fernando de Noronha, ilha do Bananal, Aruanã, Foz do Iguaçu, não precisamos de passaporte... Que tal escolas de aprendizado aqui na terra que nos darão a segurança necessária para voltarmos à Pátria Espiritual? Enquanto isso fiquemos por aqui.
André Luis de Camargo. Único.

enviada por Espírita.com
03/06/2006 15:40
ESTUDO VITAL
CONHECIMENTO E VIRTUDES
ESSA É A NOSSA META...
Mesmo resumindo ainda ficou grande, mas vale a pena ler, aprender...
SOBRE O AFETO
A quantidade de afeto que existe entre os amigos e, principalmente, a que circula no meio dos familiares, tem sido, inegavelmente, de baixa intensidade. Isso acontece por vários motivos sendo, um deles, lamentavelmente, a falta de informações a respeito, não apenas de que o fenômeno existe, como também, sobre como substituí-lo por um procedimento diferente. Desejando implementar mais afeto em nossa vida, precisamos tomar duas providências: aprender sobre isso; e adotar uma linha de esforço persistente. Conseguiremos, sem dúvida, e nossa vida irá melhorar de muito. Sobre o afeto basta lembrar que a verdadeira alegria é a sua decorrência imediata.
Durante a vida na Terra uma das principais incumbências que trouxemos foi a de melhorar nossa capacidade de produzir afeto, bom trato, agrado, carinho, para todas as pessoas de nossas relações. Sem isso não teremos aproveitado corretamente a existência. Como o nosso objetivo aqui é o aprendizado, eu quero perguntar a vocês: Como tem sido a sua expressão natural de afeto com os familiares e com os amigos?
SOBRE A GRATIDÃO
O assunto da gratidão, tanto para quem faz o benefício como para quem recebe, tem maiúscula interferência na construção da paz interior ou na do tormento íntimo.
É conhecido o nosso descaso para com os benfeitores de nossa vida, tanto os mais antigos quanto os atuais. Isso decorre, primeiro de um despreparo natural; e segundo, por causa do menor esforço. O certo é que não temos sido gratos aos que nos beneficiaram, nem um mínimo dentro do necessário. Isso é tão prejudicial à vida que não podemos deixar de analisar este assunto. Assim, pergunto: Como anda o seu sistema de gratidão para com os benfeitores de sua vida, atuais e do passado?
SOBRE O PERDÃO
Sobre o perdão o enfoque estar no imperativo de se descobrirem as mágoas recentes, bem como as mais antigas e trabalhar, esforçadamente, em cima de cada uma para que venha a diluir-se e desaparecer.
Sabendo que nós todos temos ressentimentos armazenados e que eles nos fazem um grande mal, eu pergunto: Você já fez algum levantamento sobre as suas mágoas e ressentimentos?
SOBRE O AUTOPERDÃO
A importância do autoperdão decorre de que toda culpa, consciente ou inconsciente, se refere a uma punição auto-aplicada em razão de uma falta inaceitável existente dentro de nós.
Um outro sentimento que muito nos prejudica é a culpa. Você conhece algo sobre o montante de suas culpas atuais e potenciais?
SOBRE OS COMPROMISSOS FAMILIARES
O tema do compromisso familiar se impõe devido ao fato de ser a família o núcleo mais importante na vida de cada pessoa, em cada existência na Terra. Havendo uma derrota aqui, pode-se perder toda a existência.
Todos sabemos qual é a importância da família no crescimento espiritual das pessoas. Importa que nos preparemos bem nesta área, retificando, enquanto estamos vivendo com eles, todas as condutas que sejamos capazes de identificar como impróprias. Assim, quero perguntar a você que grau de compreensão detém sobre seus compromissos familiares?
SOBRE O LAZER
Por último colocamos o lazer, não por ser menos importante. Todos precisamos adotar sobre ele uma visão mais altruísta, entendendo que, não a toa, foi colocado por Deus entre os homens.
O lazer sadio é uma necessidade na vida de cada pessoa. Acrescenta-nos, não somente uma satisfação natural de momento, como também nos recompõe os equilíbrios físico e psíquico, imprescindíveis para a permanência na carne pelo tempo previsto. Diga-me, como anda o seu índice natural de passeio e espraiamento durante uma semana?
ESTÁ FALTANDO AFETO?
Se o afeto fosse uma bebida poderíamos dizer que a humanidade dela padece de uma sede crônica. Por toda parte, porque o globo se tornou uma aldeia, vemos avantajada a sua carência. Há um, como que, imperativo para a desafeição, uma pressa generalizada em obter, em ganhar, em conseguir valores e vantagens para si, por qualquer processo, indiferentemente ao pesar e sofrimento de quem seja. Bem mais perto de nós, em casa ou no trabalho, também nos defrontamos com o alheio descaso para com os nossos interesses, a indiferença à pessoa que somos, tocando-nos, quase sempre, uma débil cordialidade social. Isto não é apenas uma denúncia aos outros, dado que nós também a merecemos, alinhando-nos com todos na efetivação do mal terrível.
O AFETO PROCLAMADO
Uma das curiosas dificuldades naturais do ser humano é a de mostrar o que sente de bom pelos outros. Gostamos muito de alguém, temos uma grande estima, admiramos imensamente, mas não externamos uma palavra sobre isso. Deixamos correr o tempo sem nada dizer, na maioria das vezes sem, sequer, tomar consciência do quanto queremos bem e apreciamos a pessoa. O mais irritante é que nos quedamos imensamente surpreendidos, por vezes, indignados, quando o ser amado conclui que o não estimamos e expõe isso com alguma segurança. Não sabemos que não há nada mais necessário e tão pouco atendido, que esta característica humana - a de gostar de ser apreciado ou, mais do que isso, a de precisar deste afeto. Não sabemos é porque não aprendemos e, então, por culpa nossa.
UMA ANÁLISE DA GRATIDÃO
A pessoa mal agradecida apresenta como característica principal o fato de, ao receber uma valorização ou favor, ficar completamente impassível, inexpressiva, como se o benefício lhe fosse naturalmente devido, passando a impressão de possuir uma indiscutível superioridade. Não poderíamos ser muito rigorosos com ela, dado ser possível que proceda sem tomar consciência do agravo que está produzindo nem das conseqüências imediatamente decorrentes. Ela pode ter aprendido a agir assim, desde pequena, com os seus próprios familiares e, neste caso, não tem culpa alguma de ser como é. Todavia, este é o comportamento extremo porque há outros menos marcantes em que o beneficiado movimenta alguma reação, um pequeno gesto de alegria e ou reconhecimento simples.
Aqueles que nos presenteiam ou fazem alguma gentileza, evidentemente desejam nos ver muito contentes e maravilhosamente surpreendidos e, sorridentes, proclamar nossa sincera alegria. Só que isso, quase sempre, não mostramos, deixando o outro desatendido e, inevitavelmente, frustrado. Possuíssemos um pouco de gratidão e, espontaneamente, nos alegraríamos, compensando o benfeitor, exemplificando elevada noção de virtude e aumentando, de verdade, nosso índice de prazer.
Não é egoísmo nem atraso gostarmos de que o nosso beneficiário fique agradecido, porque isso significa contentamento, o que, exatamente, desejávamos.
COMO ANDA O SEU ARREPENDIMENTO?
Existem dois tipos naturais de lamento. Um que é sustentado interiormente e se chama remorso e outro que se coloca para fora e se chama queixa. O primeiro pode ser exemplificado com aqueles sentimentos de amargura que nos alcançam por não termos feito alguma coisa que devíamos ou, então, por termos praticado algo que não era desejado.
Os arrependimentos variam muito de indivíduo para indivíduo e também dependem da intensidade emocional que os alcança. Alguns são de ordem social e cultural e já incomodam muito. Dentro desta linha lembro-me eu de algo que me desgosta. Lamento hoje o mau emprego do meu tempo em boa parte da vida. Compareci a uma porção de reuniões tolas e vazias, na esperança de encontrar algum acontecimento realizador; saí a passeio por muitos lugares, não adequadamente escolhidos, recolhendo frustrações; aboli, quase que completamente, os dias passados no campo, para grande pesar meu; assisti a um número enorme de programas de televisão sem absorver qualquer aprendizado ou satisfação compensadora; participei de encontros e conversas demoradas sem maior valor. Nestas horas mal empregadas poderia ter-me dedicado a numerosíssimos outros programas de alguma utilidade, como visitas a conhecidos que se alegrariam com minha presença ou, então, sentar e escrever alguma coisa boa para alguém. Lamento muito não me ter dedicado ao estudo sério de línguas estrangeiras; e sofro grande pesar por não ter aprendido a tocar bem um instrumento musical.
Mas o que mais me pega entre os arrependimentos se encontra nas ocasiões em que, por descuido ou de propósito, deixei de encorajar outras pessoas e, muito me compungem as ocasiões em que feri sentimentos delicados ou provoquei mágoa. Naquela situação em que um ente muito querido partiu para longe, posso lembrar-me de como me doeu lembrar cada vez que me faltou, para com ele, a necessária paciência ou uma compreensão que poderia ter tido e até pelas vezes em que não fiquei perto, simplesmente curtindo sua presença. Perguntas dolorosas me acodem sobre por que não lhe demonstrei maior gratidão e por que não falei do amor que eu sentia e lhe fazia falta saber. Sofro pelas vezes em que levantei a voz e por palavras amargas que cheguei a pronunciar... E a dor ainda fica muito maior se me ocorre lembrar que a pessoa ofendida não se queixou, não devolveu o agravo e não reclamou. Lembro-me de um dia em que bradei, irritado, com minha mãe, sobre uma comida que ficara meio salgada e eu estava com pressa para ir a um compromisso. Ela me olhou com tanto pesar... e parecia que estava sofrendo tanto... Até hoje ainda fico vendo aquele rostinho dolorido me olhando... Ai, que dor!... Bem, este é o remorso com sua componente dilaceradora. Mas tem uma outra que é, até, útil, se a gente souber aproveitá-la para evitar futuros desatinos ou para nos motivarmos a novos esforços. Aí, vale bem o ter sofrido.
Eu tenho esperança de que os meus arrependimentos não sejam inteiramente vãos. O que não pude fazer, talvez me ajude a motivar outros a conseguirem. Agora, tem uma coisa que já pude notar como vantagem: organizar o meu tempo de maneira propícia a evitar o desperdício e, também, policiar-me mais eficazmente para não aborrecer tanto os outros.
E, com isso, eu contei o meu lado. Espero que você pense no seu, com boa vontade e seriedade!
O PROBLEMA DA CONVIVÊNCIA
Até aquelas pessoas mais adiantadas, que levam uma vida comum em harmonia, padecem, ocultamente, de dissabores e amarguras que ninguém sabe, só a pesquisa o revela. Como iremos interpretar tal situação ? Tem causado grande impressão, ao observador, o fato de a relação de pessoas que, ainda por muito bem se quererem, tornarem-se gravemente antagônicas logo que passam a morar juntas. Poderíamos levantar algumas hipóteses explicativas, por pura elucubração filosófica.
1-) Hábito de Ganho - Muitos de nós costumam crescer vendo atendidos todos os desejos. Ao ligar-nos com alguém, em clima de igualdade, continuamos exigindo atendimento. E se este não vem, como esperávamos, reclamamos e agredimos.
2-) Impaciência - Mesmo que não exijamos realizações a nosso favor, temos pouca tolerância com os desacertos do parceiro e brigamos.
3-) Inabilitação - Nem sempre estamos adequadamente treinados para persistir fazendo uma tarefa estressante. Numa união isto surge quase que necessariamente, colocando-nos facilmente na vitimação. Daí para frente cada um age como consegue.
Podemos imaginar que nossa presença no planeta tem por finalidade aprender a conviver com os nossos iguais, através de um exercitamento que se efetua no continuísmo das horas, isto em razão de que toda viva alma passa, diariamente, por muitos desafios. Nesta hipótese, podemos tirar duas conclusões:
- Quanto mais bem agüentarmos os trancos diuturnos, mais valores iremos aliciando para riqueza de nosso caráter. Tem sido referido como de grande valor o homem chamado sofrido.
- A outra conclusão se refere aos males que nos caem se não pudermos suportar as provações naturais do caminho. É algo assim como a conseqüência do fracasso.
Precisamos pensar nisso. Até porque, ninguém pode dar testemunho daquilo que está fora de seu alcance. Poderemos, provisoriamente, pensar assim: devo fazer o máximo possível para suportar todos os percalços da vida. Mas, somente até o limite do meu possível. Este deve ser dilatado, mas é finito. Depois disso assumo o que vier.
DESENTENDIMENTOS FAMILIARES
Alguém já disse que o sofrimento conjunto dos problemas familiares incrementa a proximidade dos membros e o afeto entre eles. A verdade desta afirmação encontra, sem dúvida, exemplificação em nossa experiência. De fato, os componentes de uma família normal, quase sempre, movimentam muitos motivos para desentendimento. Quando tudo parece correr bem surge, não sei de onde, um fator de desagrado para alguém. E, como a paciência comum é pequena e o desrespeito é grande, o ofendido investe com poderosa virulência organizando a desarmonia.
Assim caminha a humanidade representada, em cada lar, por desamorosos consangüíneos, afoitos por realização de um inato sentimento de importância pessoal. Sendo os desentendimentos muito constantes podem alcançar o limite de aceitação gerando separações e inimizades. Quantos irmãos se detestam, quantos não se falam há anos, quantos filhos não gostam dos pais e segue além. Mas, tem uma coisa que trás a turma de volta ao aconchego da intimidade familiar: é o infortúnio. Quando a dor acontece, os parentes chegam de todos os lados, mostrando a força do sangue.
Pequenos desentendimentos, surgidos, às mais das vezes, por ciúme estapafúrdio, por competição desnecessária ou por simples e pura invigilância nossa, não podem ser levados muito a sério e gerar desafeição. Tanto que, na dor, na hora H mesmo, o que prevalece é o poder do DNA familiar. Mesmo que você conheça algumas exceções isso não anula a propositura que comparece com esmagadora porcentagem de superação. O bom, então, será operar com tranqüila serenidade, dentro de casa, mesmo que aconteçam aquelas briguinhas de vez em quando. A gente sabe que isso não vale nada, não é capaz de anular os grandes fatores de proximidade e união. E não teremos acanhamento em deixar tudo para lá, voltando a conversar como se nada tivesse acontecido. Porque, de fato, não aconteceu mesmo nada.
Afinal, não deveria eu tolerar mais o meu próprio pessoal? Se eu não fizer isso, o mais provável é que uma coisa puxe outra, aumentando o peso da separação. Com o tempo, haverá tanta coisa acumulada, tanta queixa viva, tanta lembrança ruim que não será nada fácil recompor e recomeçar. É claro que todos temos alguma queixa dos nossos parentes. Afinal, eles não são técnicos em entendimento e comportamento e, nem eu mesmo o sou. Natural, pois, que haja desacertos de parte a parte. A levar tudo com ferro e fogo, não sobrará ninguém dentro de minhas afeições. Prosseguindo descuidados, cultivaremos as reclamações domésticas que crescerão proporcionalmente. Quando eu assustar já não haverá mais espaço para uma reconciliação. E, se não houver um pesado infortúnio para restabelecer a paz, poderemos passar pela existência inteira sem consertar as coisas.
INDIFERENÇA NO TRATO
A indiferença no trato, avultando-se como uma das mais difíceis e dolorosas pragas do relacionamento, exige um estudo para melhor identificação de causas determinantes mais comuns: o que é? como aparece? quais as conseqüências naturais? como agir para reduzi-la? O problema se define como aquele procedimento casual que entregamos aos conhecidos, como se eles não merecessem e não justificassem a colocação de algum interesse. Olhamos, mas não vemos; conversamos, mas não acalentamos; ouvimos sem escutar; não entregamos atenção nem cordialidade; não olhamos nos olhos; não valorizamos; não elogiamos; não agradamos. É como se a pessoa não tivesse nenhuma importância e, assim, não teríamos de oferecer nada.
Como surge essa megera destruidora? Poderíamos alinhar quatro fatores responsáveis: o despreparo, a rotina, a insensibilidade e a vingança.
O primeiro fator se evidencia pelo desconhecimento que temos sobre a importância de valorizar os outros. É fácil de entender isso. Todos gostam de aparecer, de ser importantes e admirados. Nós não gostamos tanto? Não buscamos isso desbragadamente? Todo mundo é assim, é claro, mas quando nos falta informação a respeito, não chegamos nem a notar que os outros gostam e querem e, então, não procuramos entregar.
Outro fator da maior importância é a rotina, aquele resultado que obtém depois de muitas repetições iguais, no ramerrão das experiências seqüentes. Os entendidos dizem que a humanidade andaria muito mal sem ela, posto que nos evita muitos cálculos, raciocínios e planejamentos necessários ao normal da vida, poupando-nos enorme quantidade de energia e perda de tempo. Imagine que você tivesse de pensar em tudo o que fosse fazer, até caminhar, fazer gesto e engolir, por exemplo?
A insensibilidade é o fator seguinte. É por ela que não percebemos as necessidades alheias, não enxergamos, não avaliamos, não cogitamos. Permanecemos tão concentrados em nós e em nossos objetivos que nem notamos nada fora. Adotamos, então, sem perceber, a falsa suposição de que não há necessidade de nenhum movimento nosso a favor de ninguém, pois cada um que cuide de si e ao governo ou a Deus cabem as providências.
O último fator é a vingança natural, inconsciente, profundamente arraigada em nosso psiquismo. Já tendo vindo de encarnações passadas costuma receber muito reforço na atual, desde a infância. Por pequenina provocação, mesmo sem pensar, de modo inteiramente automático, bem depressa devolve o agravo, de preferência, muito aumentado, como no conhecido episódio da cara fechada.
E tem a vingança voluntária, planejada inteligentemente. Assim que o homem se supõe malferido por algum gesto alheio, que pode até ser até casual, já imediatamente se coloca no direito de aplicar uma recuperação de imagem. As providências, agora, são as mais variadas, conforme o teor da ofensa e a ferocidade da mente doentia que reclama. E a tônica mais geral é a de não se sentir em paz enquanto o suposto agressor não estiver caído de joelhos suplicando misericórdia. Aí sobe para a sua perturbada cabeça aquela sensação de vitória e de valor próprio que arroteia aos quatro ventos: Comigo não se brinca impunemente!
No esforço de sobressair-se o homem apela aos mais diversos expedientes, ainda que, tantas vezes, não sejam dignos. Não supõe sejam necessários os projetos de ações artificiais a serviço da qualidade vital através da lapidação dos procedimentos pequeninos. É claro que há. São os mesmos esforços de alegria que entregamos para os amigos e para as visitas. Não acontecendo isso, o nome do que entregamos e, até, por acaso, é indiferença. Cumprimentamos mal, conversamos pouco, agradamos nada. Mas, se surge um ensejo marcante, irrompemos como grandes amantes e defensores da família. Dir-se-ia que não temos esse direito, que não merecemos o lar que nos honra. Apiede-se de nós, Deus do Céu, porque a nossa vida tem corrido egoísta e, dos outros, desinteressada.
O que estamos descrevendo aqui se refere à regra geral. É claro que você conhece pessoas que fazem exceção. Conversam alegremente, contam casos, riem junto, escutam com atenção e interesse, brincam entre si. Mas, isso não muda a regra, porque a maioria é indiferente em casa. Se repararmos bem descobriremos que até nos casos de exceção ainda há muita indiferença que, para existir, não precisa ser 100%. Muitas pessoas consideradas boas não chegam a sê-lo neste máximo e o que falta para completar corre por conta da indiferença
O que importa perguntar, agora, é o seguinte: você vestiu um pouquinho essa carapuça ? Pensou em modificar alguma coisa no seu trato familiar? Se o fez, meus parabéns. Você vai crescer.
SOBRE O PERDÃO
São conhecidas as citações bíblicas no assunto: Perdoa para que o Céu te perdoe. - Perdoa imediatamente o teu adversário. E outras tantas. No pensamento do homem comum existe gravada a notícia sobre esta necessidade, considerada premente. No entanto, nós todos sentimos grande dificuldade para perdoar as ofensas recebidas. Importa considerar o assunto, ao menos, de passagem.
Numa esforço para entender o conceito, consideremos, primeiro, o que o perdão não é. Alguns dizem que o perdão consiste no esquecimento da ofensa. É evidente que não é isso. A gente pode perdoar sem perder a memória do acontecimento infausto. Como é que alguém poderia conseguir esquecer algo por simples vontade e decisão? Não conseguindo, perdoar seria impossível. Outros dizem que perdoar é deixar para lá. Também não pode ser. Encostar uma dada mágoa no inconsciente é um episódio inconveniente conhecido como repressão. Ele fica escondido, mas permanece vivo, causando muito estrago. Chegamos, então, ao ponto. Entendemos que perdoar é jogar a mágoa fora, por meio de uma decisão consciente. Somente se e quando isso for conseguido é que o perdão se caracterizou.
Agora, quais seriam as vantagens para quem perdoasse? Inúmeras, supomos, e muito compensadoras. Com um pequeno trabalho ganhamos um grande lucro. Muitas vezes, sendo nós o ofensor, ficamos arrependidos com o agravo praticado e desejamos recuperar as coisas, entretanto, nos falta a necessária postura de coragem. Se o ofendido tiver perdoado irá tratar-nos de um modo favorável, como se não tivesse havido ofensa. Aí, sentimos como nos foi agradável aquela sua atitude. Então, perdoar, faz um grande bem ao agressor, mesmo que ele não o perceba momentaneamente. Já, quando perdoamos por um ato consciente, sobrevém a nós, imediatamente, uma sensação tão intensa de valor próprio que não a poderíamos desconsiderar...
Um outro aspecto, de enorme importância, está ligado com a aplicação da Lei de Causa e Efeito, vigente no Universo, para todos os seres. Na medida em que relevamos algo, temos plantado uma semente boa. Oportunamente, aquilo volta a nós trazendo os frutos conseqüentes e sempre proporcionais em qualidade e quantidade. Assim entenderíamos a frase Perdoa para que o Céu te perdoe.
Além do mais, quando não perdoa o que é que você faz? Você vinga e com as maneiras mais variadas, sempre de acordo com o que você pode e consegue. Um modo muito rápido e muito comum é o de fechar a cara, conhecido de toda gente. O que significa ela senão uma dolorosa e imbecil vingança? Você viu alguém consertar alguma coisa fechando a cara?
Meditemos no perdão como uma alavanca de serviço, concebida para melhorar a vida das pessoas. Sem falso puritanismo, vale a pena...
CULPA E PERFEIÇÃO
Um dos mais dolorosos sentimentos humanos é o de culpa, um desagrado oculto, de intensidade maior ou menor, que martiriza sem cessar. A diferença entre culpa e arrependimento é que, neste, conhecemos a causa e, naquela, não conhecemos, sofrendo sem saber porquê. Evidentemente ninguém quer sentir culpa alguma, pelo que é bem normal tentar-se escapar dela o quanto for possível. A solução está, justamente, na consciência dos fatores capazes de infligi-la. É preciso conhecer, enfrentar, assumir e perdoar-se. Assim se enfraquece a perversa noção, ganhando-se a paz relativa desejada. Só que tais fatores são múltiplos e variados, donde a grande quantidade de culpa que a humanidade carrega.
Uma das causas mais notáveis é a procura da perfeição. A pessoa joga para operar de modo exato absoluto e como, naturalmente, não consegue, sente-se culpada, mas não sabe que seu desconforto vem da culpa de não ter conseguido. É o caso do bom aluno que se sente mal por não ter conseguido tirar dez no exame; a moça muito bonita que não foi eleita a miss no concurso; a mãe que, após grande empenho, vê se filho mal-educado; o caçador que dá um tiro e erra o seu alvo; etc. Conheci uma jovem estudante que chegava a adoecer quando não tirava o primeiro lugar na sua classe escolar. E você mesmo é capaz de ter ficado muito ofendido quando perdeu aquele primeiro lugar, lembra-se?
Nestes casos, assim como em todos os outros análogos, a dor seria evitada se o candidato não exigisse de si a nota máxima. Se tivesse conseguido contentar-se com uma boa colocação, não teria tido problema algum. Não estamos divulgando aqui a noção de que as pessoas devam ficar satisfeitas com uma posição inferior. Nossa discussão se refere ao fato de saber-se que a perfeição é impossível para o indivíduo imperfeito e é esta a condição do ser humano atual. Mesmo quando logra ficar em primeiro lugar numa disputa qualquer, tem muitos problemas que, se forem conhecidos, são capazes de indignificar o seu prêmio.
A Psicologia descobriu e informa ser necessário não tentar nunca a perfeição mas, sim, o crescimento: - suba um ponto de cada vez. A pessoa está no oitavo degrau de uma escada que possui trinta, por exemplo. Se ela tentar o nono, poderá conseguir ou não, mas a coisa é possível. Atingir logo o trigésimo é impraticável. Se entendesse, erradamente, ser possível, tentaria e ficaria culpada.
Está neste mesmo contexto a referência sobre o amor ao próximo como a si mesmo. A pessoa tenta, não atinge e queda-se culpada. Não devia porque não tem, ainda, uma estatura moral para consegui-lo. Só que a cultura social e as religiões oficiais ensinam assim. Que fazer? Esperar o tempo para obter a mudança? Ou tentar descobrir já a causa e buscar vencê-la?
Percebemos como é fácil a gente colocar uma culpa no interior do coração. Difícil é tirá-la de lá, mas, como não pode ficar, é imperativo descobrir um jeito de efetuar. Ele existe e chama-se autoperdão.
TEORIA DO AUTOPERDÃO
O desejo de perdoar-se não ocorre normalmente às pessoas porque nem sabem que isto existe e pode ser feito. No entanto, uma das providências mais úteis, em termos de saúde própria e de alegria de viver é, justamente, o autoperdão. Em sua ausência o sentimento de autopunição caminha para o máximo, dado que, perante uma pesada culpa a necessidade de alívio determina ações autocorretivas, considerando que foi isso apenas o que a pessoa aprendeu. Desde quando era pequena lhe ensinaram que o agressor precisava apanhar. Quando a criança se machuca numa cadeira, por exemplo, os adultos correm para auxiliá-la e, como recurso de compensação, batem na cadeira atribuindo-lhe toda a culpa e resgatando a dor através da punição. Vão, assim, aprendendo a culpar os outros e a machucar o ofensor. Um dia, este é a gente mesmo e, aí, segundo a regra aprendida, precisamos bater em nós, o que, indiretamente, é feito por meio do sentimento de culpa.
Interessante é que a culpa é, quase sempre, inconsciente e seu estrago é cumulativo e tem conseqüências dolorosas. Para combatê-la o primeiro remédio é o autoperdão que se pode praticar mediante uma técnica de procedimento toda especial.
Em primeiro lugar há que se analisar todos os aspectos do erro cometido: contra quem foi executado, como aconteceu, em que lugar, quais os fatores agravantes, como se portou a vítima, quais as conseqüências percebidas ou suposta, enfim, tudo o que puder ser pesquisado. Quando já não houver mais nada para explorar, deve-se fazer uma declaração solene de que esta parte está encerrada e que se vai passar à parte seguinte, com a promessa de não mais voltar a esta.
No segundo momento de trabalho será feita uma conjectura sobre tudo aquilo que se devia ter feito, caso se tivesse tido a intenção de acertar. São examinados, aqui, todos os aspectos do caso, desde o início até o fim, trabalhando-se minuciosamente para se conseguir a mais nítida imagem sobre o procedimento considerado ideal, percorrido passo a passo. Só então é que se passa ao item seguinte, não sem, antes, proclamar a decisão de não voltar à fase anterior.
Este terceiro momento é uma espécie de auto-afirmação por meio de um recurso meio que hipnótico. Então, do modo mais solene que for possível, a pessoa promete para si mesma que, se for defrontada, no futuro, por uma situação igual àquela que conduziu ao erro, não mais procederá como fez desta vez. Com toda certeza irá agir exatamente como imaginou que faria se tivesse agido de modo ideal. Vai-se adiante com a promessa de não voltar mais para trás.
O quarto momento é constituído por um outro episódio bem solene. A pessoa tem de se declarar, com toda a ênfase que puder, que está completamente perdoada.
No quinto momento ela tira uma conclusão muito importante. Uma vez que já explorou muito bem o seu erro; já descobriu como faria para acertar; já prometeu que vai se empenhar para cumprir o juramento; já se declarou perdoada; agora só falta esquecer o assunto. Então, solenemente, fala para si mesma: dou o assunto por encerrado e abandonado.
LAZER SADIO
Um dos procedimentos mais gerais do ser humano é o cultivo do lazer. Em todas as classes sociais iremos sempre encontrar alguma diversão preferida pelos moradores locais, em qualquer parte do mundo.
Há dois elementos motivadores para a marcante procura mundial deste imperativo instrumento. Um é relativo ao processo de recuperação do psiquismo. Durante os momentos de trabalho há um, como que, desgaste energético mental que rapidamente repercute no físico, determinando desagrado, cansaço e conseqüente redução na produtividade. Se a pessoa insistir na continuidade executiva, irá defrontar-se com lesões de gravidade variável. E não é somente pela parada no serviço que se obtém a recuperação necessária. Descobriu-se que a passagem por uma situação de prazer, natural ou provocado, é capaz de recompor o equilíbrio de modo muito mais intenso. Daí o despontar do lazer como um elemento indispensável.
O outro elemento se refere ao prazer em si. Ainda que não houvesse recuperação alguma para a saúde, a simples realidade da satisfação já seria razão mais do que suficiente para que todos procurassem intensamente, como sói acontecer nos agrupamentos humanos.
Até este ponto só enxergamos motivos para entronizar o lazer. Entretanto, como tudo na vida, há cuidados que não podem ser dispensados. Um deles é sobre a qualidade dos eventos buscados e preferidos, para o que se pode afirmar que há de tudo desde os mais inferiores até os mais elevados.
Por que as pessoas diferem tanto na preferência por um tipo ou outro, podendo até acontecer mudanças ostensivas na preferência de alguém no decorrer do tempo? O fator responsável principal é simplesmente educativo. Cada qual acaba gostando daquilo com que convive. Quem viveu na Europa nos meados do século XIX e primeira parte do século XX não poderia escapar ao encanto do lirismo da ópera de Belline, de Verde e de Donizette; e quem reside no Brasil de hoje não consegue fugir da forte motivação para aproximar-se da música sertaneja e do rock violento. Você aprende a gostar daquilo a que é submetido como fator de lazer. Mas, quando já aprendeu, não gosta de outra coisa, a menos que passe por um complicado processo reeducativo.
Há lazeres de nível bem baixo, conquanto isso não seja admitido pelos usuários, envolvendo viciações, flagelos etc. E há os de consideração elevada, que desobstruem os canais da alma, colocando o indivíduo em alto grau de emotividade sadia. Conheço pessoas que se enternecem até as lágrimas diante de passagens da Segunda Sinfonia de Sibelius, do Concerto nº 2 p. P.O. de Rachmaninoff, de uma tela a cores de Monet ou da representação em bel canto de Maria Calas.
Outro cuidado a tomar-se perante a eventualidade de um lazer se refere à quantidade. Há pessoas que não cultivam o respeito pelo limite. Porque apreciam uma dada bebida ou comida, entendem que devem usar porções enormes sem atentar para as conseqüências, apenas com a desculpa de que gostam muito. O mesmo vale para noitadas, para descansos, para trabalhos e, até, para aplicação de afetos. Nós todos temos ainda muito para aprender neste importantíssimo capítulo das dosagens convenientes para não nos resvalarmos nos terríveis despenhadeiros do excesso e de inconveniências mil... Então, o próprio lazer sadio ainda precisa ser praticado com o necessário recato!
DIVERSÃO E PECADO
Nenhum ser humano sabe, ao certo, porque e para que veio a este mundo. Mas, ninguém se furta de construir uma idéia, imaginando o mecanismo das coisas. Assim, eu entendo que o homem nasceu para realizar duas incumbências: conseguir a maior quantidade de conhecimentos que puder; e entesourar o maior índice possível de bondade. Se veio buscar isso, quando voltar ao ponto de partida, irá conferir os valores adquiridos. Adotando este conceito, enquanto estiver por aqui, deverá aplicar o maior empenho em ações capazes de lhe trazerem conteúdo para a bagagem de volta, ou seja, tentar aprender tudo e no máximo que tiver jeito e, também, procurar agir, sem descanso e sem desânimo, com um modo superior de trato, de convívio amistoso, de solidariedade aplicada, de tolerância, de compreensão, de amor, enfim, pois em tal consiste a bondade. Ninguém mandou que fizesse isso, ele mesmo é que escolheu, considerando o que sabe sobre o futuro.
Enquanto vive assim, este cidadão oferece a seus convivas um tipo de comportamento ideal, pelo que, é estimado, admirado, querido e amado, exatamente o que todo mundo deseja para si. Conclui-se que, mesmo se não fosse verdade aquela idéia sobre a cultura e a bondade, ainda assim valeria a pena viver na sua hipótese, considerando que o seu resultado nos leva a um estado de felicidade extremamente desejado e perseguido.
Focalizemos, assim, um homem virtuoso, que faz o possível para ajuntar uma bela bagagem. A pergunta, agora, é se este sujeito pode e deve divertir-se, cantar, dançar, passear, viajar, pular o carnaval e admirar as mulatas sem se incorrer na desaprovação da ética superior e perder os prêmios. Fazendo isso estará se desviando do caminho adequado, estará se enfraquecendo na virtude, estará, enfim, pecando? A resposta para isso não pode ser direta e seca. Existem nuances e condições.
É preciso estabelecer que o ato do prazer, em si, não é, absolutamente, pecaminoso, mas pode vir a sê-lo, considerando as exigências de intenção e limite. Antes de tudo é preciso saber o que impulsiona a ação, qual é o seu motivo. Até na criminologia existe a verificação se o delito é acidental ou intencional, apenas este cumprindo receber punição. De outro lado, existe o problema do equilíbrio, exigido para todo cometimento. Não se permitem nem a carência nem o excesso, pois a virtude fica na faixa que medeia os dois extremos. Então, as ações prazenteiras devem ser buscadas e praticadas, até por necessidade de recuperação do tônus adequado de satisfação e bom humor, imprescindíveis para a continuação da existência. Mas, durante o seu decurso, é indispensável se opere dentro dos limites da faixa de equilíbrio, não só para garantir a continuação da alegria própria, como também para preservar e contribuir com a satisfação alheia que, afinal, é um direito irrevogável.
Chegamos, pois, a um conceito final, racional, maduro e tranqüilizador: um determinado ato de lazer, como o carnaval, por exemplo, não contém, só por isso, pecado qualquer e,assim, reprovação alguma. Poderá ser um episódio absolutamente inocente e visto como uma festa maravilhosa, pelo altíssimo conteúdo social que possui. Os crimes, vícios, enganos, desilusões, distúrbios e quaisquer outras inconveniências, não podem a ele ser atribuídas, mas, sim, ao sujeito da ação, o homem deseducado e desequilibrado.
Resumo do estudo feito pelo Prof. Rodrigues Ferreira como parte da melhoria dos trabalhadores e assistidos nas quartas feiras na Associação Espírita A Caminho da Luz aqui em São José do Rio Preto
enviada por Espírita.com
15/05/2006 15:32
E A VIDA CONTINUA....
Pesquisando na net encontrei esse texto que muito me imprensionou, achei legal dividir com todos que nos visitam com carinho. Solicitei permissão ao proprietário/autor, permissão concedida, cá está para deleite nosso. Assim sendo, agradeço-te João Bosco, pela permissão e Oro ao Pai Celestial para que sejas sempre iluminado com tão sábias palavras e tão nítido sentimento.
"É realmente complicado o que existe dentro do homem. Na sua cabeça. Na alma. No coração. Sentimentos. Raciocínio. Reações. Porque nem essas ele revela com a facilidade esperada.
Na maioria das vezes, primeiro se advinha o que com ele se passa. Através do comportamento. Gestos. Modo de olhar. De reagir. Em situações comuns. Ou incomuns. O corpo fala. É título de obra. Muito bem feita, por sinal. Que muito nos diz e ensina.
Depois, se a pessoa se deixa aproximar, a gente tenta romper barreiras. Brinca. Manifesta bom humor. Tenta abrir a porta. A própria. E tenta bater na dela. Sentir a ressonância. Oca? Ou sólida? Depende da reação às primeiras atitudes. Brincadeira bem aceita com resposta bem humorada. Acolhimento quase certo. Batida de ressonância sólida. O tapete se desdobra ao caminhar.
Perguntas. Respostas. Curtas. Mais longas. Reticências. Gostos. Desgostos. Formação. Não se perguntam qualidades. Procura-se senti-las. Através do testemunho. Que se pode sentir verdadeiro, ou não, através do diálogo que se estabelece. Defeitos se escondem. Sinceridade? Por mais que você a tenha, sempre duvida da contrapartida. Porque fatos começam a acontecer. Ou deixar de acontecer. E dificilmente não serão objeto de análise. Boa. Ou não. Depende do seu estado de espírito quando deles toma conhecimento. Explicações. Existem? Pode ser.
E a vida, que parecia ter acolhido novo e promissor abrir-se, continua. Na monotonia cansativa de sempre. Decepção? Não. Realidade. Só. Mais nada.
E tem-se que abraçar a realidade, pena de não se ser feliz. Triste de quem não se adapta. É sofrimento, na certa. Porque o aceitar é fundamental.
É como aquela história do perdão. Todo mundo só pensa que a virtude está no perdoar. Mas o verbo tem que ser vivido também na forma reflexiva. E na passiva. Perdoar-se. E ser perdoado. Senão o relacionamento é falho. E sempre se fica devendo algo a alguém.
O aceitar conjuga-se e vive-se de igual maneira. Na voz ativa, na reflexiva e na passiva. Aceitar. Aceitar-se. E ser aceito. Se as conjugações interagem, com certeza haverá felicidade.
Importante é viver o presente. Porque o passado já se foi. O futuro ainda não é meu
E a vida continua..."
E A VIDA CONTINUA -- 17/05/2005 - 17:08 (JOÃO BOSCO LOMONACO MENDES)
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E a vida continua é também título de livro de - André Luiz/Francisco Cândido Xavier
Apresenta o retrato espiritual da criatura ao desencarnar, objetivando demonstrar que a vivência dos habitantes do Além está relacionada com sua condição mental. Através de 26 capítulos, numa linguagem romanceada, traz a história de personagens reais que, desencarnados, deparam-se com o amparo dos amigos espirituais, incentivando a renovação por intermédio do estudo, do trabalho, preparando-os para rever sua vida e desvendar as tramas do passado, permitindo traçar novas diretrizes. Ensina a prática do auto-exame na certeza de que a vida continua plena de esperança e trabalho, progresso e realização, ajustada às leis de Deus.

enviada por Espírita.com
09/05/2006 08:35
Mãe
Os anos passam cada vez mais rápidos, às vezes nem o percebemos, mas notamos que nossos corações, cada vez mais fracos, procuram bater mais fortes em busca da vitalidade, bombeando vida, bombeando força na fraqueza que nos invade.
Somos fetos, apenas fetos na evolução da vida, fetos que buscam a necessária corrente |